“A teoria afetiva sugere que o Autismo se origina de uma (…) inabilidade inata básica para interagir emocionalmente com os outros, o que levaria a uma falha no reconhecimento de estados mentais e a um prejuízo na habilidade para abstrair e simbolizar. Os déficits no reconhecimento da emoção e na habilidade de utilizar a linguagem de acordo com o contexto social, seriam então, conseqüências da disfunção afetiva básica, a qual impediria a criança de viver a experiência social intersubjetiva. Tal experiência está associada à capacidade (inata) de perceber e responder à linguagem corporal (por exemplo, expressão facial, vocal e gestual) e de inferir emoções a partir dessa linguagem. Em outras palavras, os bebês viriam ao mundo naturalmente equipados com a capacidade (…) para estabelecer relações afetivas recíprocas, habilidade essa que o capacita a distinguir pessoas de ‘coisas’ e de compreender os estados mentais do self e dos outros”.
BOSA e CALLIAS
As crianças com autismo apresentam um déficit na capacidade de reconhecimento de diferentes emoções (Hobson, 1986 apud Bosa e Callias).
Outra teoria afetiva (Mundy & Sigman, 1989) enfatiza o papel do sistema afetivo, tanto quanto o cognitivo, no desenvolvimento social infantil, chamando a atenção para o comportamento de ‘atenção compartilhada’ (isto é, a capacidade de dividir uma experiência com objetos/eventos com um parceiro).
“(…) o ‘retraimento’ autista tem sido explicado em termos de um estado de excitação crônico (Hutt & Hutt, 1968) ou flutuações nesses estados (Ornitz & Ritvo, 1976) que conduzem à evitação do olhar, reações negativas e retraimento da interação social, como mecanismos para controlar o excesso de estimulação.”
BOSA e CALLIAS